Ensaio fotográfico
Heróis Invisíveis
Há alguns anos, comecei a separar o lixo que produzo. O orgânico ia para a composteira; os materiais recicláveis eram separados para a coleta. Ainda assim, uma pergunta permanecia: até quando a nossa única casa, o planeta, vai suportar o que descartamos?
Heróis Invisíveis nasceu dessa inquietação. Em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, comecei a acompanhar o trabalho de mulheres e homens que vivem da coleta de materiais recicláveis. Queria entender o percurso do lixo, da saída das nossas casas à coleta e à separação.
A princípio, imaginava uma pesquisa mais técnica. Mas o encontro com aquelas pessoas mudou o projeto. O que eu procurava compreender passou a envolver também suas histórias, seus vínculos e suas condições de vida. Foi inquietante perceber o quanto aquela realidade estava perto de mim e o quanto eu desconhecia dela.
As fotografias acompanham o esforço do trabalho, mas também os olhares, os gestos e os momentos de afeto. Ao longo desse percurso, quis dar espaço às pessoas para além da atividade que realizam.
Não quero romantizar o que encontrei. Há uma violência em uma sociedade que acumula e descarta enquanto tantas pessoas precisam buscar sustento naquilo que outras jogam fora. Separar o lixo importa. Também importa reconhecer quem lida com ele depois que sai da nossa vista — e questionar as condições em que esse trabalho acontece.
Comecei perguntando para onde ia o meu lixo. Essa pergunta me levou a olhar para quem estava ali.
































